Roberto Monteiro vota contra projeto
que terceiriza administração municipal
Os vereadores do Rio aprovaram em primeira discussão, na noite desta quarta-feira (29), o projeto de lei das Organizações Sociais (OS), de autoria do Poder Executivo. As galerias ficaram lotadas por servidores municipais contra o projeto. A maioria foi impedida de entrar e professores fizeram manifestação em frente à Câmara Municipal. O vereador Roberto Monteiro votou contra e fez um discurso veemente onde acusa o governo Eduardo Paes de estar abandonando seus compromissos de campanha firmados no segundo turno.
O projeto do prefeito Eduardo Paes promove a terceirização de setores da administração municipal, entre eles Educação e Saúde, que seriam entregues para entidades privadas.
Inicialmente foram debatidas algumas emendas, entre elas a que retiraria a Educação do projeto. Na votação, apenas 12 votos a favor e 38 contra. Em seguida, outras emendas foram aprovadas. Na segunda votação o projeto foi finalmente aceito por ampla maioria, causando revolta entre os manifestantes.
Votaram contra o projeto que terceiriza a administração municipal: Roberto Monteiro, Eliomar Coelho, Carlos Eduardo, Leonel Brizola Neto, Reimont, Stepan Nercessian, Paulo Messina, Paulo Pinheiro, Alexandre Cerruti, Carlo Caiado, Eider Dantas e Lurdinha.
O PCdoB/Rio também participou da manifestação contra o projeto e distribuiu a nota aprovada pelo Comitê Municipal. Segundo a nota, a proposta do governo “fere importantes direitos da população da Cidade do Rio de Janeiro na medida em que propõe repassar para Organizações privadas serviços públicos essenciais para a população como a Saúde e a Educação”.
Veja abaixo a íntegra do pronunciamento do Vereador Roberto Monteiro.
QUE GOVERNO É ESSE?
Muito provavelmente irei voltar à tribuna para fazer a defesa do posicionamento de meu voto contrário às OS, mas este momento é um momento de muita reflexão. Que tipo de governo nós estamos vendo na cidade do Rio de Janeiro? Que tipo de governante nós elegemos nas últimas eleições? Houve um pacto entre as forças de esquerda em função do governo Eduardo Paes, no segundo turno especificamente. Nós apostávamos muito mais no apoio ao governo Eduardo Paes porque entendíamos, e corretamente naquele momento, que a vitória do Gabeira significava um atraso político, talvez até para a nação, porque ali estariam distintos dois projetos, o do Gabeira, representando a oposição conservadora, DEM e PSDB, e a candidatura Eduardo Paes, representando o campo do governo Lula. Mas aliança política se faz na época da eleição, efetivamente, em função de outros projetos. Mas nós, obviamente, entendemos que ideologicamente esse Governo não é e não será nunca o nosso governo.
Quero dizer aqui que o vereador Roberto Monteiro sempre, como o fez em dois anos de mandato, se posicionou a favor dos trabalhadores e do povo carioca. Então, independentemente de A ou B estar no governo municipal, a minha atitude será diferente neste plenário e nessa primeira votação.
E aí, aprofundando, senhor presidente, nós recebemos algumas mensagens nesta casa enviadas por esse governo. E, aí, é uma coisa que me decepciona, e quero começar a alertar os vereadores também da base do governo, vereadores que têm compromisso popular e social na nossa cidade. Entre as mensagens mandadas pelo governo, quero que venham aqui aqueles que vão defender o governo com veemência, venham me dizer qual foi efetivamente a mensagem apresentada a favor dos trabalhadores. A mensagem 01 do governo beneficia empresa em Campo Grande, uma mega empresa. A mensagem 02 aqui hoje vai ser votada. A mensagem 03 ou 04 é dos terrenos do metrô, e assim sucessivamente. A prioridade que está sendo dada não foi a prioridade dada no compromisso eleitoral, que elegeu Eduardo Paes no 2º turno. Ainda há tempo para uma mudança de rumo. E é assim que esperamos que este governo se comporte. Então, da minha posição hoje, não esperem outra coisa senão uma votação com veemência contra esse projeto absurdo.
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