Cantora Fernanda Abreu é homenageada pela Câmara
Nem mesmo o temporal que atingiu o Rio de Janeiro no dia 05/04 impediu que os admiradores da cantora Fernanda Abreu fossem prestigiá-la na entrega da medalha Chiquinha Gonzaga e do título de Cidadã Benemérita. A iniciativa foi de autoria do vereador Roberto Monteiro e aprovada pela Câmara Municipal do Rio de Janeiro.
A homenagem contou com a presença do Deputado Estadual Marcelo Freixo; do representante do Ministério da Cultura, professor Adair Rocha; do Presidente da Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira, Ivo Meirelles; do produtor musical, DJ Malboro; do compositor Fausto Fawcett; do Vice-Presidente de Responsabilidade Social do Clube de Regatas Vasco da Gama, Faues Cherene Jassus "Mussa"; do Presidente da Torcida Organizada Força Jovem do Vasco, Luiz Claudio; dos representantes da torcida Guerreiros do Almirante; do vereador Reimont, além de muitos fãs e familiares. E durante todo o evento chegavam mensagem de felicitações de políticos e artistas.
O fã clube 100% Fernanda Abreu, um dos componentes veio de Goiânia especialmente para a solenidade, homenageou a cantora com um vídeo contendo imagens de várias épocas e mensagens de carinho.
Em um discurso emocionado a cantora agradeceu a todos que ajudaram na construção de sua trajetória e disse que receber essas homenagens foi muito importante: “Essa homenagem é um marco na minha carreira, é mais que uma grande satisfação pelo reconhecimento ao meu trabalho, é uma responsabilidade”.
O produtor musical DJ. Marlboro ressaltou o papel social da cantora: “A Fernandinha é extremamente ligada aos problemas sociais da cidade. Ela vive e respira Rio de Janeiro”. Luiz Stein, marido da cantora, também fez questão de chamar atenção para essa questão: “Ela é acima de tudo alguém que se preocupa com o coletivo”.
O vereador Roberto Monteiro encerrou a homenagem declarando estar muito orgulhoso por ser o autor da iniciativa: “Fernanda Abreu é a difusora do há de autenticamente carioca, ela irradia cultura para o nosso país e a nossa cultura para além do Brasil, é um orgulho ser o autor dessa proposta”.
Leia abaixo a íntegra do discurso do Vereador em homenagem a Fernanda Abreu.
Ilustres convidados, senhoras e senhores, estamos reunidos para homenagear a cantora e compositora Fernanda Sampaio de Lacerda Abreu, nossa querida Fernanda Abreu, que receberá o título de Cidadã Benemérita da cidade do Rio de Janeiro, bem como a Medalha de reconhecimento Chiquinha Gonzaga.
As homenagens que a Câmara Municipal ora presta a Fernanda Abreu são mais do que justas e muito me orgulho de ter sido o autor das propostas, e é nesta qualidade que passo a justificar, em breves palavras, a outorga das honrarias que são o objeto da presente sessão solene.
O Título de Cidadão Benemérito é outorgado ao carioca nato que tenha prestado relevantes serviços à cidade do Rio de Janeiro, seja no campo político, cultural ou científico.
Só esta simples definição do que é ser um cidadão benemérito já seria suficiente para justificar a aprovação unânime da Câmara de Vereadores à proposição que outorgou à Fernanda Abreu esse nobre título.
Mas devemos ir além e ressaltar o papel que nossa homenageada tem desempenhado como difusora e defensora do que há de mais autenticamente carioca.
É lugar comum qualificar o Rio como capital cultural do Brasil. No entanto, em um país como o nosso, de tamanho continental, com tão ricas e variadas expressões artísticas e culturais, uma cidade só se afirma como pólo cultural se os seus artistas conseguem, sem perder as referências locais, falar para todo o Brasil, o que exige, além de talento, uma visão cosmopolita que traduza a miscigenação que resultou neste povo original e único, que é o povo brasileiro.
Chiquinha Gonzaga, que dá nome a medalha que Fernanda Abreu passa a envergar, é expressão e exemplo perfeito e acabado desta mistura. Mulata, filha bastarda do General José Basileu Gonzaga com Rosa Maria Neves de Lima, Chiquinha, além de ter sido a primeira pianista de choro e a primeira mulher a reger uma orquestra, foi também quem introduziu os ritmos populares, como o samba e o maxixe, na elite carioca, ao organizar, com a então primeira-dama da nação, Nair de Tefé, saraus no palácio presidencial.
Esses saraus foram motivos de escândalo, com o presidente Hermes da Fonseca sendo acusado de abrir os salões presidenciais às chamadas “danças vulgares”.
Fernanda Abreu também é expressão da miscigenação brasileira. Nascida no Rio, filha de uma carioca com um português, Fernanda tem, no sangue, essa bendita mistura européia, índia e negra.
Não existe exagero em dizer que a arte de Fernanda Abreu traduz a cara, o jeito e a sedução de um Rio de Janeiro que é, ao mesmo tempo, irresistível, problemático e apegado às suas tradições sem deixar de ser moderno.
Desde que se lançou em carreira solo, Fernanda Abreu deixou cada vez mais nítida a influência do rap e do funk em suas músicas, o que também, como na época de Chiquinha Gonzaga, rendeu comentários negativos sobre as “danças vulgares”, o que só mostra que o tempo passa, mas o complexo aristocrático de certa elite continua vivo.
Fernanda Abreu não deu a mínima bola para isso, e com seu imenso talento, continuou cantando o Rio e o Brasil do jeito que quis, com os ritmos que escolheu, sendo hoje admirada por uma legião de fãs de norte a sul do Brasil.
Esse reconhecimento do talento de Fernanda Abreu ajuda a projetar ainda mais a nossa cidade, pois Fernanda honra as melhores tradições da cultura popular do Rio de Janeiro, de ser universal sem deixar de lado a carioquice.
Não é a toa que Fernanda Abreu é apaixonada torcedora do mais carioca dos clubes. Clube de subúrbio que, enfrentando preconceitos, uniu portugueses, negros e operários. O Club de Regatas Vasco da Gama, paixão que tenho em comum com nossa homenageada.
Portanto, como disse, eram apenas breves palavras que nem de longe tinham a pretensão de historiar a vitoriosa carreira de Fernanda Abreu, o que exigiria um discurso de muitas horas.
Queríamos apenas explicar a essência da homenagem a esta mulher brasileira, mãe, cantora, compositora, carioca da gema, que, através da arte, tem sido tão fundamental para a definição moderna do que é ser carioca.
Parabéns Fernanda Abreu.
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