09 de março de 2010
 

Viva o centenário do 8 de março!

Há 153 anos, no dia 8 de março, operárias americanas fizeram uma grande greve, para reivindicar melhores condições de trabalho e, principalmente, equiparação de salários com os funcionários homens.
Mas infelizmente a tentativa de manifestação pela igualdade dos direitos foi violentamente reprimida. As manifestantes foram trancadas dentro da fábrica de tecidos, que foi incendiada.

Em memória das 130 tecelãs que morreram, ficou decido em 1910 durante uma conferência na Dinamarca, que o dia 08 de março seria o ”Dia Internacional da Mulher” para que a luta dessas operárias nunca fosse esquecida, e assim influenciasse mulheres em todo o mundo para que a luta pela igualdade dos gêneros não fosse apenas um sonho.

Hoje, em 2010, longe de onde tudo aconteceu, num país bem diferente vemos que a luta dessas operárias não foi em vão, ainda há desigualdade, violência, o preconceito e muitos outros problemas enfrentados pelas mulheres, mas há grupos importantes como a UBM (União Brasileira de Mulheres) que lutam para que essa sonhada igualdade se torne real, e que o nosso país seja mais justo. A luta feminina encontra muitas pedras no caminho, mas como disse o poeta Fernando Pessoa: “Pedras no caminho? Guardo todas, um dia vou construir um castelo”

Que muitos castelos sejam construídos e que muitas rainhas se façam.

Leia na íntegra a nota da UBM  e do PCdoB para o dia 08 de março:

UBM: Cem anos de 8 de março — Mais poder político para as mulheres

Neste 08 de março, que assinala os 100 anos do Dia Internacional da Mulher, a União Brasileira de Mulheres (UBM) considera que a luta por um mundo de igualdade e contra toda a opressão permanece atual, exigindo a união de todas as que acreditam na construção de alternativas ao neoliberalismo. E que o desenvolvimento com soberania é o caminho para enfrentar os ditames do capitalismo em crise e descortinar o rumo do socialismo.

O avanço rumo ao desenvolvimento social e econômico não pode deixar de considerar a situação da mulher. No Brasil, embora registremos conquistas, ainda temos um longo caminho a percorrer. Foi promulgada a Lei Maria da Penha, mas ainda vigora a impunidade de assassinos, e espancadores, porque a lei ainda não foi implementada integralmente de fato. Estamos unidas no combate a todo tipo de violência contra a mulher.

A legalização do aborto enfrenta a oposição de setores retrógrados e da Igreja. No Brasil, a criminalização do aborto condena as mulheres a um caminho de clandestinidade, ao qual se associam graves perigos para as suas vidas, saúde física e psíquica, e não contribui para reduzir este grave problema de saúde pública.

Ainda precisamos resolver o impasse da dupla jornada da mulher, que conquistou considerável espaço no mercado de trabalho, mas ainda recebe a carga de responsabilidade do trabalho doméstico. Isso contribui para manter a mulher afastada da vida pública e reflete no pequeno número ainda de representantes mulheres nos parlamentos e cargos executivos. Entre 1987 e 2002, 76 deputadas chegaram a Câmara Federal que conta com mais de 500 parlamentares. Em 2006, esse número aumentou na Câmara, mas ainda não chega a 9 % do total de deputadas, colocando o Brasil entre os 60 países com pior participação das mulheres no Congresso Nacional.

É fundamental superar a sub-representação feminina na política e em todos os espaços de poder para impulsionar o avanço da democracia no Brasil. As conquistas das mulheres só se dão no ventre da liberdade e da democracia, mas sob a pressão das lutas das próprias mulheres com o apoio da sociedade. As eleições deste ano, em nosso país, constituem um importante momento nessa luta.

Sabemos que um outro mundo é possível de igualdade entre homens e mulheres. Para avançarmos na formulação das políticas de Estado é necessário radicalizar na democracia para reordenarmos os espaços. A inclusão das mulheres na política é parte essencial da construção democrática, portanto não é só uma questão de direito da mulher, mas sim dever do Estado e da sociedade.
Mais poder político para as mulheres!

Março de 2010

 

Resolução sobre os cem anos do 8 de março

Durante a II Conferência de Mulheres Socialistas, realizada em Copenhague, em 1910, com a presença de delegadas de 17 países, foram aprovadas as propostas de Clara Zetkin de conclamação às mulheres a lutarem pela paz e de se celebrar um dia internacional das mulheres, que deveria ocorrer todos os anos. No ano seguinte, no mês de março, mais de um milhão de mulheres foram às ruas na Alemanha, na Suiça, na Dinamarca e na Áustria, celebrando seu dia.

Em 2010, mulheres do mundo inteiro, comemoram os 100 anos do Dia Internacional da Mulher, com várias manifestações tendo como sempre a marca de luta que tem caracterizado este dia ao longo dos tempos.

O Partido Comunista do Brasil, ao mesmo tempo em que saúda as mulheres brasileiras neste seu dia, conclama as comunistas a serem protagonistas de ações que celebrem os 100 anos do 8 de março, lembrando o que afirma o documento da 1ª Conferência Nacional do PCdoB sobre a Questão da Mulher de que não há projeto de desenvolvimento sem a participação da mulher.

O Partido Comunista do Brasil considera a necessidade de avançar na superação da subrepresentação das mulheres nas esferas de poder e decisão na sociedade, que é inadmissível conviver com a violência contra as mulheres e com a criminalização das mulheres por realizarem a interrupção da gravidez.

O Partido Comunista do Brasil reafirma neste 8 de Março “que o avanço da emancipação das mulheres é uma condição para o progresso social”, como está estabelecido no seu Programa, aprovado no 12º Congresso.


         

 

 

 

 

 

 

 

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